Um jovem que não consegue ultrapassar um desgosto amoroso.
- Não adianta, não há ninguém como ela. Já estou farto de procurar e não encontro ninguém que chegue aos seus pés
Um amigo que faz tudo para com que ele avance.
- Se deixasses de ficar todo o dia sentado no sofá, com a cabeça enfiada no rabo, talvez encontrasses alguém.
- Eu apenas gosto de ver televisão deitado no sofá. De vez em quando mudo de posição para não enjoar.
- Meu, tu andas com esses boxers à quinze dias. Se colocas a cara onde meteste o cu, então, para mim andas com a cabeça enfiada no rabo.
Uma jovem que quer ultrapassar rápido a última relação que teve.
- Eu vou sair e vou atirar ao primeiro gajo que olhar para mim!
Uma amiga que faz tudo para com que ela pare.
- Tu já fizeste isso tantas vezes e ele sempre cagou para ti.
- Talvez não tenha ido ainda longe demais.
- Tu tiveste sexo na cama dele.
- Sim.
- No dia do seu aniversário.
- Sim.
- Para o qual não foste convidada
- Sim.
- E só conseguiste entrar porque seduziste o pai dele.
- Sim.
- Que foi com quem tiveste sexo na cama dele.
- Sim, e então? Ele desprezou-me.
- É o que eu te estou a tentar dizer...
Uma ideia.
(ecrã dividido em dois)
- Que tal tu conheceres uma amiga da minha namorada?
- Que tal tu conheceres um amigo do meu namorado?
- Que tal é ela?
- Que tal é ele?
- Simpática (imagem da jovem a atirar pedras da calçada à casa do ex-namorado). Firme... nas suas posições.
- É vistoso. (imagem do jovem a coçar o escroto e a arrotar). Muito caseiro, gosta de estar em casa
- Hum... deve ser feia.
- Hum... deve ser estúpido.
Jantar de apresentação
- Que se passa com a cara dela? Parece que está de trombas e com vontade de me ir à tromba. - comenta o jovem com o amigo.
- Que se passa com o cabelo dele? Parece que se enganou no frasco do champoo e trocou-o por óleo refinado. - comenta a jovem com a amiga.
(imagem do jantar em que os dois estão a discutir)
- Sabes qual é o teu problema? Estás habituada a que o mundo venha quando tu estalas os dedos. Mas o mundo não gira à tua volta. Os homens não têm que estar presentes apenas porque tens um capricho, ou porque precisas de companhia ou de sexo!
- Estás a chamar-me de vaca, meu grandessíssimo filho de uma...
- Senhora, tenho que pedir que baixe o tom de voz... - diz o empregado do restaurante embaraçado, olhando para os vários clientes.
A jovem ignora-o e diz para o jovem, com o casal de amigos no meio, olhando para os pratos.
- Sabes qual é o teu problema? Vives num mundo de fantasia, onde achas que virá uma mulher com asas e que ela irá aceitar-te como tu és, mas deixa-me dizer-te, nenhuma mulher te pode aceitar como és, não pelo menos enquanto não tomares um banho!
(imagem de pratos a voar de um lado para o outro)
- Isto se calhar não foi boa ideia...
Até que...
- Desculpa. - o amigo dá uma cotovelada no jovem que continua a falar - Eu não devia ter dito aquelas coisas.
- Pois não! - a amiga dá uma cotovelada na jovem - Eu... - outra cotovelada - Eu também não devia ter dito o que disse. Desculpa.
... do sítio mais improvável, sai a mais forte das amizades...
Ele com ela:
- Eu só queria encontrar uma mulher que me visse como eu realmente sou, sabes? Como ela fez antes. Eu não tive que me esforçar. Apenas aconteceu. Foi aquilo, perfeito.
- Se fosse perfeito, estarias com ela. E sabes, por vezes, temos que nos esforçar, não para agradar os outros. Por ti.
Ela com ele:
- Depois de tudo o que fiz por ele, como é que ele pôde avançar em frente como se eu não existisse? Como pôde ele ignorar-me desta forma?
- Porquê gastar tanto tempo a querer chamar a atenção de alguém que não te dá atenção nenhuma? Porque dar tanta atenção a essa raiva, alimentá-la, quando o que ela faz é apenas deixar-te infeliz. Lembras-te... do que é ser feliz?
... que eles nunca julgariam encontrar.
- Estarei sempre aqui para ti, para te lavar as lágrimas, daqueles que as fizeram verter.
- E eu para ti. Esperar contigo que apareça aquela mulher especial por quem procuras.
Tudo o que eles julgavam que precisavam de encontrar noutra pessoa, descobriram neles próprios, através da pessoa que mais repulsa julgavam lhe causar, quando afinal era exactamente a pessoa que precisavam de conhecer.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
Aparências
Eles pareciam o casal perfeito, aos olhos de todos.
Cena 1 – Restaurante
- Como te invejo… gostava de ter aquilo que tu tens. Um
marido perfeito, o trabalho perfeito.
A mulher ri timidamente, mas o olhar revela alguma
tristeza.
Cena 2 – Casa
- Querida, cheguei. Querida?
- Na cozinha.
- Desculpa o atraso, tive uma…hã…emergência no
escritório.
- A emergência impediu-te de ligares o telemóvel ou de me
avisares para que eu não estivesse aqui mais de três à tua espera?
- Querida, desculpa, eu perdi a noção do tempo…
A mulher levanta-se e sai da cozinha com as lágrimas a
quererem cair.
Cena 1 – Restaurante
- Sinto-me só, sabes? Dizes que tenho uma vida perfeita, mas
a minha vida perfeita está a deixar-me cada vez mais triste. É isto? É isto que
é suposto ser a minha vida? Infelicidade, tristeza, solidão, incompreensão? Se
eu não fosse tão cobarde, eu avançaria, eu fugiria. Iria embora sem olhar para
trás. Mas eu não sou corajosa.
A amiga volta da casa de banho
-Estavas a falar com quem?
- Hã? – a mulher é surpreendida – Ninguém, apenas a pensar
alto.
Cena 2 – Casa
- Não estejas assim…
- Vou-me embora.
- Como assim, vais-te embora? Como é que te vais sustentar?
Quem vai pagar os teus jantares com as tuas amigas? As tuas idas às compras,
todo o estilo de vida que tens, como é que o vais manter?
- Eu não pedi nada disto, nada disto tem importância para
mim! Lembras-te quando começámos? Os sonhos que tínhamos? O que é que aconteceu?
O que é que nos aconteceu? Antes não dava-mos importância a nada destas…
coisas!
Cena 3 – Autocarro
A mulher chora com a cabeça encostada ao vidro do
autocarro.
Cena 1 – Casa
- Mudámos. – o homem aproxima-se da mulher.
- Não. Se calhar sempre fomos assim. A culpa é minha,
acreditei que ia deixar de me sentir assim mas apenas adiei. Fui adiando,
ignorando o facto de que me sentia só, de que não me sinto apreciada, de que não
me sinto amada. Deixei-me acomodar. De que iria passar
- E vai passar.
- Não, não vai. Não consigo ignorar, não mais.
- O que é que as pessoas vão dizer?
- O que elas quiserem.
A porta bate
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Mãe
Cena 1 - Ecrâ negro.
1-Não vejo nada.
2-Habitua-te à escuridão.
1-Tenho medo.
2-Não tenhas, irei estar sempre aqui.
1-Mas...
2-Confias em mim, filha?
1-Sim.
Cena 2 - A escuridão é interrompida por uma luz intermitente, como que uma lâmpada prestes a fundir-se.
3-Socorro. Alguém me ajude!!
4-Tirem-me daqui!
5-Socorro!
(As vozes sobrepõem-se, cada vez mais desesperadas até terminar num lancinante grito)
A luz apaga-se
1-Mãe?
1-Não vejo nada.
2-Habitua-te à escuridão.
1-Tenho medo.
2-Não tenhas, irei estar sempre aqui.
1-Mas...
2-Confias em mim, filha?
1-Sim.
Cena 2 - A escuridão é interrompida por uma luz intermitente, como que uma lâmpada prestes a fundir-se.
3-Socorro. Alguém me ajude!!
4-Tirem-me daqui!
5-Socorro!
(As vozes sobrepõem-se, cada vez mais desesperadas até terminar num lancinante grito)
A luz apaga-se
1-Mãe?
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O Aviso
Cena 1 (Câmara nos olhos do narrador)
Não me recordo da última vez que dormi uma noite completa. Não me recordo da última vez que dormi sequer. Apenas o medo. O medo de a ver novamente.
Cena 2
Uma mulher vestida de branco, brilhando no escuro, caminha em direcção à câmara.
Cena 1
Apenas sinto que há algo que tenho de me lembrar. Mas não sei o quê. A cada vez que fecho os olhos, ela surge. Tanta dor, tanto desespero. Ela grita mas eu não consigo ouvir nada.
Cena 2
A mulher começa a correr na direcção da câmara, abrindo a sua boca mas não se ouve nenhum som, apenas um ligeiro assobio.
Cena 1
Só quero que ela pare. Que me deixe em paz. Eu não quero saber o que vai acontecer, não quero saber se vou morrer. Só quero que ela...
Cena 2
Os pés da mulher deixam de tocar no chão e ela lança-se em voo até a câmara, ficando o ecrã cada vez mais branco luminoso, até ficar coberto por completo.
Cena 1
...pare.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Sentir
Cena 1
[Diálogo sem imagem]
- Nunca me senti assim antes.
- Aposto que dizes isso a todas as raparigas que acabas de conhecer.
- Sim, mas acho que agora foi a primeira vez que realmente senti.
[A imagem de um jovem casal apaixonado, deitado debaixo de uma árvore começa a surgir do negro]
- Então e o que é que fazemos a partir daqui?
- Acho que teremos que ficar obrigatoriamente o resto da vida juntos.
- Curioso, estava mesmo a pensar numa pergunta para te fazer, a propósito disso…
- Qual é a pergunta?
- Se estavas livre nos próximos cinquenta e sete anos…
- Acho que posso arranjar algo na minha agenda…
[O jovem casal beija-se apaixonado e a imagem começa a desvanescer-se}
Cena 2
[A jovem rapariga está a descer as escadas de uma estação de comboios quando um encapuzado passa por ela, fazendo com que caísse das escadas. A imagem fica focada nela deitada no chão, passando depois para a imagem no hospital onde o médico fala com a família]
- Doutor, explique-nos… não conseguimos perceber o que ela tem… Ela está acordada mas não diz nada, não reage…
- Pondo por palavras simples, ela perdeu toda a sensibilidade do seu corpo. Será algo temporário, no entanto, podem haver algumas mudanças no seu comportamento.
- Porquê…? Se é algo passageiro, que alterações podem…
- O traumatismo na cabeça afectou a amígdala e o córtex, que através do tálamo, permitem com que as emoções existam. Precisam de ter muita paciência com ela, porque o acidente resultou num renascimento. Ela vai ter que aprender a sentir novamente. Ela vai ter que o querer fazer.
Cena 3
[De volta à mesma árvore do início, os dois estão sentados lado a lado]
- Não te faz lembrar nada?
- A minha memória não foi afectada.
- Por vezes sinto que ages como se não me conhecesses. Como se eu não existisse.
- Eu… apenas não sei… como agir. Eu não sei.
Cena 4
[Numa conversa entre a mãe da rapariga e o rapaz, estando a rapariga a ouvir atrás da porta]
- Eu desisto! Não consigo suportar mais isto. Não consigo estar com ela e sentir-me sempre a mais.
- Tens que ter calma… sabes que ela não está a passar por um período fácil…
- E eu?! Eu deixei tudo para trás por ela e nem sequer lhe posso tocar sem sentir que estou a tocar num cubo de gelo. Vazio é só o que ela me diz, nas suas palavras, nos seus gestos, nas suas expressões. Apenas vazio.
Cena 4
[A rapariga escreve uma carta onde se podem ler as palavras “… desculpa, não consigo fazer mais, não consigo sentir. Não consigo sentir nada, nem dor, nem tristeza. Acho que o melhor que tenho a fazer é partir]
Cena 5
[Sucessão de imagens onde se vê a rapariga a caminhar à beira da estrada, a saltar para um riacho, numa tenda sozinha, a falar com um casal hippie numa praia à noite ao pé de uma fogueira a finalizar com a cara do rapaz que sorri para ela e sorri ainda mais quando ela lhe retribui o sorriso. O sorriso dele desvanece-se quando vê algo na sua direcção, gritando o seu nome, grito que fica a ecoar]
Cena 4
terça-feira, 12 de julho de 2011
Brave New World
1ª Cena – Amanhecer
Um dia… um dia iremos ser tudo. Tudo o que quisermos ser.
2ª Cena – Sucessão de imagens. Um casal a beijar-se, em cumplicidade, crianças a correr, amigos a abraçarem-se e a sorrirem.
Um dia conseguiremos deixar para trás a nossa vida, as nossas dores, as nossas mágoas e tristezas.
3ª Cena – Uma cidade em chamas, pessoas a fugir, com os prédios a ruir. O mesmo casal luta pela vida, passando uma sucessão de imagens dessa luta pela sobrevivência, finalizando numa em que estão os dois no cume a assistir ao mundo em convulsão abaixo de si.
Um dia iremos ter um mundo novo à nossa espera.
terça-feira, 19 de abril de 2011
O Mal Interior
Cena 1:
[Rapariga sentada num sofá, olha fixamente para a pessoa que está à sua frente]
- Eu sou uma boa pessoa?
Cena intercalar
[Casa vazia e vê-se um vulto ao fundo de um corredor]
Cena 1:
[A mulher que está em frente à rapariga pergunta com ar confuso]
- Como assim?
- Se achas que eu seria capaz de fazer mal... intencionalmente a outras pessoas?
Cena intercalar
[A sombra começa a crescer e a ocupar a totalidade das divisões conforme avança]
Cena 1:
[A mulher responde convicta]
- Não, não. Tu não.
- E se eu...
Cena intercalar
[A sombra está a avançar cada vez mais e o negro espalha-se por todos os cantos, sendo cada vez mais difícil distinguir as mobílias.]
Cena 1:
- E se eu não controlar os meus pensamentos? E se os meus pensamentos puderem matar...?
Cena intercalar
[A luz interior desaparece por completo e apenas o negro fica].
[Rapariga sentada num sofá, olha fixamente para a pessoa que está à sua frente]
- Eu sou uma boa pessoa?
Cena intercalar
[Casa vazia e vê-se um vulto ao fundo de um corredor]
Cena 1:
[A mulher que está em frente à rapariga pergunta com ar confuso]
- Como assim?
- Se achas que eu seria capaz de fazer mal... intencionalmente a outras pessoas?
Cena intercalar
[A sombra começa a crescer e a ocupar a totalidade das divisões conforme avança]
Cena 1:
[A mulher responde convicta]
- Não, não. Tu não.
- E se eu...
Cena intercalar
[A sombra está a avançar cada vez mais e o negro espalha-se por todos os cantos, sendo cada vez mais difícil distinguir as mobílias.]
Cena 1:
- E se eu não controlar os meus pensamentos? E se os meus pensamentos puderem matar...?
Cena intercalar
[A luz interior desaparece por completo e apenas o negro fica].
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