Quando os mundos caiem... quem fica para recolher os destroços?
(Imagens de arranha-céus a ruirem, monumentos a implodirem e a serem engolidos pela terra, a água a invadir a terra)
Todas as trivialidades, todos os modos de vidas passadas, largados para trás como roupas velhas e usadas.
(Presidiários a ajudarem na retirada de sobreviventes, lado a lado com polícias. Todas as raças e credos, juntos, verdadeiramente juntos pela primeira vez)
Quando um ser humano se apercebe que parte de si ser o criador de um novo mundo...
(Um homem está deitado numa cama, preso, a tentar libertar-se. Grita de desespero, mas ninguém vem ao seu auxílio).
...é quando se apercebe que tem de destruir o velho.
(As correias que o prendem, soltam-se e o homem agarra-se à cabeça gritando de dor. Os seus gritos são cada vez mais fortes até serem a única coisa quer persistem depois do ecrã ficar negro. Os gritos cessam e uns olhos brancos brilham no escuro)
terça-feira, 7 de maio de 2013
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Para Sempre Pt1
Paris 1756
Cena 1
Teatro, casa cheia, opulência, luxo. Um homem bem colocado na
sociedade fala com os seus pares, enquanto a sua jovem mulher sente-se
aborrecida por sentir que não pertence aquele mundo. Ela apenas quer sentir.
Algo que já sentiu em tempos, algo que se tornou apenas uma breve lembrança,
distante demais para que a consiga agarrar. Até que o seu olhar se cruza com o
dele e uma eternidade passou-se num simples momento. O homem olha para ela de
forma sedutora, de uma forma que ela não consegue fugir. Toda a sala parece
desaparecer e apenas ficam os dois, sós, longe de tudo. A voz do seu marido faz
com que tudo volte.
- Vamos?
A mulher vai, mas olha para trás à procura do homem, não o
encontrando.
Cena 2
Conversa com uma amiga:
- Não sei o que pensar, não sei o que fazer, não consigo
deixar de pensar naquele homem. Por vezes vejo-o na rua, quando estou com o meu
marido, mas volto o olhar e não deixo de me sentir culpada. Como posso ter eu
estes pensamentos, com o meu marido ao lado? Meu Deus, nem posso sequer pensar
nisso.
- Tu estás apaixonada.
- Não! Não, não quero pensar nisso, não posso pensar
nisso.
- Não queres, não podes… mas a realidade é essa.
Cena 3
Os dois encontram-se, finalmente, à beira do rio Sena e desta
vez o seu marido não está ao seu lado. Ela tenta fugir, mas há algo mais forte
que faz com que ela se mantenha ali. Algo mais forte que faz com ela se deixe
manter naquele lugar, contra tudo o que considera certo, naquele lugar que sabe
que a vai levar ao momento que tem vivido nos seus sonhos e também nos seus
pesadelos.
Cena 4
- Querida, estamos no salão.
A voz do marido intrigou-a e quando chega ao salão, encontra
o marido junto com o homem dos seus sonhos. Duas realidades juntas numa só, duas
realidades que ela tudo fez para manter separadas. O momento é demasiado forte
para ela, desmaiando.
Cena 5
- Vamos jantar à casa dos Beauvoir.
- Não me sinto bem. Vai sem mim.
- Realmente não tens andado bem desde o desmaio, querida, mas
eu já disse que íamos. Não quero ser descortês em dizer o contrário, sabes que
não fica bem.
Ela já habituada a que os seus sentimentos não entrassem na
sua equação e interiormente chora por ir conhecer a mulher do seu amante, outra
realidade para a qual ela não está preparada.
Cena 6
Os dois corpos na cama, envoltos em luxúria e paixão,
subitamente interrompidos pela presença do marido dela, que os fica a olhar por
breves instantes antes dela, saltar da cama e tentar tapar-se. Ela começa
imediatamente a chorar, embora esteja confusa, não sabendo se chora pela perda
do marido, se chora pela perda da sua posição social. Por aquilo que as pessoas
dirão dela. A porta fecha-se com violência e tudo fica negro, ficando apenas o
choro da mulher a ecoar.
Cena 7
Uma sucessão de imagens da mulher e o homem surgem no ecrã.
Imagens de paixão, de desespero. Um tiro é disparado, gritos. E silêncio. E
negro novamente.
- Vais ficar comigo para sempre? – pergunta o homem à mulher
no dia do seu casamento, em flashback.
- Para sempre.
segunda-feira, 22 de outubro de 2012
Encontro
Um jovem que não consegue ultrapassar um desgosto amoroso.
- Não adianta, não há ninguém como ela. Já estou farto de procurar e não encontro ninguém que chegue aos seus pés
Um amigo que faz tudo para com que ele avance.
- Se deixasses de ficar todo o dia sentado no sofá, com a cabeça enfiada no rabo, talvez encontrasses alguém.
- Eu apenas gosto de ver televisão deitado no sofá. De vez em quando mudo de posição para não enjoar.
- Meu, tu andas com esses boxers à quinze dias. Se colocas a cara onde meteste o cu, então, para mim andas com a cabeça enfiada no rabo.
Uma jovem que quer ultrapassar rápido a última relação que teve.
- Eu vou sair e vou atirar ao primeiro gajo que olhar para mim!
Uma amiga que faz tudo para com que ela pare.
- Tu já fizeste isso tantas vezes e ele sempre cagou para ti.
- Talvez não tenha ido ainda longe demais.
- Tu tiveste sexo na cama dele.
- Sim.
- No dia do seu aniversário.
- Sim.
- Para o qual não foste convidada
- Sim.
- E só conseguiste entrar porque seduziste o pai dele.
- Sim.
- Que foi com quem tiveste sexo na cama dele.
- Sim, e então? Ele desprezou-me.
- É o que eu te estou a tentar dizer...
Uma ideia.
(ecrã dividido em dois)
- Que tal tu conheceres uma amiga da minha namorada?
- Que tal tu conheceres um amigo do meu namorado?
- Que tal é ela?
- Que tal é ele?
- Simpática (imagem da jovem a atirar pedras da calçada à casa do ex-namorado). Firme... nas suas posições.
- É vistoso. (imagem do jovem a coçar o escroto e a arrotar). Muito caseiro, gosta de estar em casa
- Hum... deve ser feia.
- Hum... deve ser estúpido.
Jantar de apresentação
- Que se passa com a cara dela? Parece que está de trombas e com vontade de me ir à tromba. - comenta o jovem com o amigo.
- Que se passa com o cabelo dele? Parece que se enganou no frasco do champoo e trocou-o por óleo refinado. - comenta a jovem com a amiga.
(imagem do jantar em que os dois estão a discutir)
- Sabes qual é o teu problema? Estás habituada a que o mundo venha quando tu estalas os dedos. Mas o mundo não gira à tua volta. Os homens não têm que estar presentes apenas porque tens um capricho, ou porque precisas de companhia ou de sexo!
- Estás a chamar-me de vaca, meu grandessíssimo filho de uma...
- Senhora, tenho que pedir que baixe o tom de voz... - diz o empregado do restaurante embaraçado, olhando para os vários clientes.
A jovem ignora-o e diz para o jovem, com o casal de amigos no meio, olhando para os pratos.
- Sabes qual é o teu problema? Vives num mundo de fantasia, onde achas que virá uma mulher com asas e que ela irá aceitar-te como tu és, mas deixa-me dizer-te, nenhuma mulher te pode aceitar como és, não pelo menos enquanto não tomares um banho!
(imagem de pratos a voar de um lado para o outro)
- Isto se calhar não foi boa ideia...
Até que...
- Desculpa. - o amigo dá uma cotovelada no jovem que continua a falar - Eu não devia ter dito aquelas coisas.
- Pois não! - a amiga dá uma cotovelada na jovem - Eu... - outra cotovelada - Eu também não devia ter dito o que disse. Desculpa.
... do sítio mais improvável, sai a mais forte das amizades...
Ele com ela:
- Eu só queria encontrar uma mulher que me visse como eu realmente sou, sabes? Como ela fez antes. Eu não tive que me esforçar. Apenas aconteceu. Foi aquilo, perfeito.
- Se fosse perfeito, estarias com ela. E sabes, por vezes, temos que nos esforçar, não para agradar os outros. Por ti.
Ela com ele:
- Depois de tudo o que fiz por ele, como é que ele pôde avançar em frente como se eu não existisse? Como pôde ele ignorar-me desta forma?
- Porquê gastar tanto tempo a querer chamar a atenção de alguém que não te dá atenção nenhuma? Porque dar tanta atenção a essa raiva, alimentá-la, quando o que ela faz é apenas deixar-te infeliz. Lembras-te... do que é ser feliz?
... que eles nunca julgariam encontrar.
- Estarei sempre aqui para ti, para te lavar as lágrimas, daqueles que as fizeram verter.
- E eu para ti. Esperar contigo que apareça aquela mulher especial por quem procuras.
Tudo o que eles julgavam que precisavam de encontrar noutra pessoa, descobriram neles próprios, através da pessoa que mais repulsa julgavam lhe causar, quando afinal era exactamente a pessoa que precisavam de conhecer.
- Não adianta, não há ninguém como ela. Já estou farto de procurar e não encontro ninguém que chegue aos seus pés
Um amigo que faz tudo para com que ele avance.
- Se deixasses de ficar todo o dia sentado no sofá, com a cabeça enfiada no rabo, talvez encontrasses alguém.
- Eu apenas gosto de ver televisão deitado no sofá. De vez em quando mudo de posição para não enjoar.
- Meu, tu andas com esses boxers à quinze dias. Se colocas a cara onde meteste o cu, então, para mim andas com a cabeça enfiada no rabo.
Uma jovem que quer ultrapassar rápido a última relação que teve.
- Eu vou sair e vou atirar ao primeiro gajo que olhar para mim!
Uma amiga que faz tudo para com que ela pare.
- Tu já fizeste isso tantas vezes e ele sempre cagou para ti.
- Talvez não tenha ido ainda longe demais.
- Tu tiveste sexo na cama dele.
- Sim.
- No dia do seu aniversário.
- Sim.
- Para o qual não foste convidada
- Sim.
- E só conseguiste entrar porque seduziste o pai dele.
- Sim.
- Que foi com quem tiveste sexo na cama dele.
- Sim, e então? Ele desprezou-me.
- É o que eu te estou a tentar dizer...
Uma ideia.
(ecrã dividido em dois)
- Que tal tu conheceres uma amiga da minha namorada?
- Que tal tu conheceres um amigo do meu namorado?
- Que tal é ela?
- Que tal é ele?
- Simpática (imagem da jovem a atirar pedras da calçada à casa do ex-namorado). Firme... nas suas posições.
- É vistoso. (imagem do jovem a coçar o escroto e a arrotar). Muito caseiro, gosta de estar em casa
- Hum... deve ser feia.
- Hum... deve ser estúpido.
Jantar de apresentação
- Que se passa com a cara dela? Parece que está de trombas e com vontade de me ir à tromba. - comenta o jovem com o amigo.
- Que se passa com o cabelo dele? Parece que se enganou no frasco do champoo e trocou-o por óleo refinado. - comenta a jovem com a amiga.
(imagem do jantar em que os dois estão a discutir)
- Sabes qual é o teu problema? Estás habituada a que o mundo venha quando tu estalas os dedos. Mas o mundo não gira à tua volta. Os homens não têm que estar presentes apenas porque tens um capricho, ou porque precisas de companhia ou de sexo!
- Estás a chamar-me de vaca, meu grandessíssimo filho de uma...
- Senhora, tenho que pedir que baixe o tom de voz... - diz o empregado do restaurante embaraçado, olhando para os vários clientes.
A jovem ignora-o e diz para o jovem, com o casal de amigos no meio, olhando para os pratos.
- Sabes qual é o teu problema? Vives num mundo de fantasia, onde achas que virá uma mulher com asas e que ela irá aceitar-te como tu és, mas deixa-me dizer-te, nenhuma mulher te pode aceitar como és, não pelo menos enquanto não tomares um banho!
(imagem de pratos a voar de um lado para o outro)
- Isto se calhar não foi boa ideia...
Até que...
- Desculpa. - o amigo dá uma cotovelada no jovem que continua a falar - Eu não devia ter dito aquelas coisas.
- Pois não! - a amiga dá uma cotovelada na jovem - Eu... - outra cotovelada - Eu também não devia ter dito o que disse. Desculpa.
... do sítio mais improvável, sai a mais forte das amizades...
Ele com ela:
- Eu só queria encontrar uma mulher que me visse como eu realmente sou, sabes? Como ela fez antes. Eu não tive que me esforçar. Apenas aconteceu. Foi aquilo, perfeito.
- Se fosse perfeito, estarias com ela. E sabes, por vezes, temos que nos esforçar, não para agradar os outros. Por ti.
Ela com ele:
- Depois de tudo o que fiz por ele, como é que ele pôde avançar em frente como se eu não existisse? Como pôde ele ignorar-me desta forma?
- Porquê gastar tanto tempo a querer chamar a atenção de alguém que não te dá atenção nenhuma? Porque dar tanta atenção a essa raiva, alimentá-la, quando o que ela faz é apenas deixar-te infeliz. Lembras-te... do que é ser feliz?
... que eles nunca julgariam encontrar.
- Estarei sempre aqui para ti, para te lavar as lágrimas, daqueles que as fizeram verter.
- E eu para ti. Esperar contigo que apareça aquela mulher especial por quem procuras.
Tudo o que eles julgavam que precisavam de encontrar noutra pessoa, descobriram neles próprios, através da pessoa que mais repulsa julgavam lhe causar, quando afinal era exactamente a pessoa que precisavam de conhecer.
domingo, 15 de julho de 2012
Aparências
Eles pareciam o casal perfeito, aos olhos de todos.
Cena 1 – Restaurante
- Como te invejo… gostava de ter aquilo que tu tens. Um
marido perfeito, o trabalho perfeito.
A mulher ri timidamente, mas o olhar revela alguma
tristeza.
Cena 2 – Casa
- Querida, cheguei. Querida?
- Na cozinha.
- Desculpa o atraso, tive uma…hã…emergência no
escritório.
- A emergência impediu-te de ligares o telemóvel ou de me
avisares para que eu não estivesse aqui mais de três à tua espera?
- Querida, desculpa, eu perdi a noção do tempo…
A mulher levanta-se e sai da cozinha com as lágrimas a
quererem cair.
Cena 1 – Restaurante
- Sinto-me só, sabes? Dizes que tenho uma vida perfeita, mas
a minha vida perfeita está a deixar-me cada vez mais triste. É isto? É isto que
é suposto ser a minha vida? Infelicidade, tristeza, solidão, incompreensão? Se
eu não fosse tão cobarde, eu avançaria, eu fugiria. Iria embora sem olhar para
trás. Mas eu não sou corajosa.
A amiga volta da casa de banho
-Estavas a falar com quem?
- Hã? – a mulher é surpreendida – Ninguém, apenas a pensar
alto.
Cena 2 – Casa
- Não estejas assim…
- Vou-me embora.
- Como assim, vais-te embora? Como é que te vais sustentar?
Quem vai pagar os teus jantares com as tuas amigas? As tuas idas às compras,
todo o estilo de vida que tens, como é que o vais manter?
- Eu não pedi nada disto, nada disto tem importância para
mim! Lembras-te quando começámos? Os sonhos que tínhamos? O que é que aconteceu?
O que é que nos aconteceu? Antes não dava-mos importância a nada destas…
coisas!
Cena 3 – Autocarro
A mulher chora com a cabeça encostada ao vidro do
autocarro.
Cena 1 – Casa
- Mudámos. – o homem aproxima-se da mulher.
- Não. Se calhar sempre fomos assim. A culpa é minha,
acreditei que ia deixar de me sentir assim mas apenas adiei. Fui adiando,
ignorando o facto de que me sentia só, de que não me sinto apreciada, de que não
me sinto amada. Deixei-me acomodar. De que iria passar
- E vai passar.
- Não, não vai. Não consigo ignorar, não mais.
- O que é que as pessoas vão dizer?
- O que elas quiserem.
A porta bate
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Mãe
Cena 1 - Ecrâ negro.
1-Não vejo nada.
2-Habitua-te à escuridão.
1-Tenho medo.
2-Não tenhas, irei estar sempre aqui.
1-Mas...
2-Confias em mim, filha?
1-Sim.
Cena 2 - A escuridão é interrompida por uma luz intermitente, como que uma lâmpada prestes a fundir-se.
3-Socorro. Alguém me ajude!!
4-Tirem-me daqui!
5-Socorro!
(As vozes sobrepõem-se, cada vez mais desesperadas até terminar num lancinante grito)
A luz apaga-se
1-Mãe?
1-Não vejo nada.
2-Habitua-te à escuridão.
1-Tenho medo.
2-Não tenhas, irei estar sempre aqui.
1-Mas...
2-Confias em mim, filha?
1-Sim.
Cena 2 - A escuridão é interrompida por uma luz intermitente, como que uma lâmpada prestes a fundir-se.
3-Socorro. Alguém me ajude!!
4-Tirem-me daqui!
5-Socorro!
(As vozes sobrepõem-se, cada vez mais desesperadas até terminar num lancinante grito)
A luz apaga-se
1-Mãe?
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
O Aviso
Cena 1 (Câmara nos olhos do narrador)
Não me recordo da última vez que dormi uma noite completa. Não me recordo da última vez que dormi sequer. Apenas o medo. O medo de a ver novamente.
Cena 2
Uma mulher vestida de branco, brilhando no escuro, caminha em direcção à câmara.
Cena 1
Apenas sinto que há algo que tenho de me lembrar. Mas não sei o quê. A cada vez que fecho os olhos, ela surge. Tanta dor, tanto desespero. Ela grita mas eu não consigo ouvir nada.
Cena 2
A mulher começa a correr na direcção da câmara, abrindo a sua boca mas não se ouve nenhum som, apenas um ligeiro assobio.
Cena 1
Só quero que ela pare. Que me deixe em paz. Eu não quero saber o que vai acontecer, não quero saber se vou morrer. Só quero que ela...
Cena 2
Os pés da mulher deixam de tocar no chão e ela lança-se em voo até a câmara, ficando o ecrã cada vez mais branco luminoso, até ficar coberto por completo.
Cena 1
...pare.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Sentir
Cena 1
[Diálogo sem imagem]
- Nunca me senti assim antes.
- Aposto que dizes isso a todas as raparigas que acabas de conhecer.
- Sim, mas acho que agora foi a primeira vez que realmente senti.
[A imagem de um jovem casal apaixonado, deitado debaixo de uma árvore começa a surgir do negro]
- Então e o que é que fazemos a partir daqui?
- Acho que teremos que ficar obrigatoriamente o resto da vida juntos.
- Curioso, estava mesmo a pensar numa pergunta para te fazer, a propósito disso…
- Qual é a pergunta?
- Se estavas livre nos próximos cinquenta e sete anos…
- Acho que posso arranjar algo na minha agenda…
[O jovem casal beija-se apaixonado e a imagem começa a desvanescer-se}
Cena 2
[A jovem rapariga está a descer as escadas de uma estação de comboios quando um encapuzado passa por ela, fazendo com que caísse das escadas. A imagem fica focada nela deitada no chão, passando depois para a imagem no hospital onde o médico fala com a família]
- Doutor, explique-nos… não conseguimos perceber o que ela tem… Ela está acordada mas não diz nada, não reage…
- Pondo por palavras simples, ela perdeu toda a sensibilidade do seu corpo. Será algo temporário, no entanto, podem haver algumas mudanças no seu comportamento.
- Porquê…? Se é algo passageiro, que alterações podem…
- O traumatismo na cabeça afectou a amígdala e o córtex, que através do tálamo, permitem com que as emoções existam. Precisam de ter muita paciência com ela, porque o acidente resultou num renascimento. Ela vai ter que aprender a sentir novamente. Ela vai ter que o querer fazer.
Cena 3
[De volta à mesma árvore do início, os dois estão sentados lado a lado]
- Não te faz lembrar nada?
- A minha memória não foi afectada.
- Por vezes sinto que ages como se não me conhecesses. Como se eu não existisse.
- Eu… apenas não sei… como agir. Eu não sei.
Cena 4
[Numa conversa entre a mãe da rapariga e o rapaz, estando a rapariga a ouvir atrás da porta]
- Eu desisto! Não consigo suportar mais isto. Não consigo estar com ela e sentir-me sempre a mais.
- Tens que ter calma… sabes que ela não está a passar por um período fácil…
- E eu?! Eu deixei tudo para trás por ela e nem sequer lhe posso tocar sem sentir que estou a tocar num cubo de gelo. Vazio é só o que ela me diz, nas suas palavras, nos seus gestos, nas suas expressões. Apenas vazio.
Cena 4
[A rapariga escreve uma carta onde se podem ler as palavras “… desculpa, não consigo fazer mais, não consigo sentir. Não consigo sentir nada, nem dor, nem tristeza. Acho que o melhor que tenho a fazer é partir]
Cena 5
[Sucessão de imagens onde se vê a rapariga a caminhar à beira da estrada, a saltar para um riacho, numa tenda sozinha, a falar com um casal hippie numa praia à noite ao pé de uma fogueira a finalizar com a cara do rapaz que sorri para ela e sorri ainda mais quando ela lhe retribui o sorriso. O sorriso dele desvanece-se quando vê algo na sua direcção, gritando o seu nome, grito que fica a ecoar]
Cena 4
Subscrever:
Mensagens (Atom)